terça-feira, 27 de abril de 2010

Publicidade na web desafia práticas de remuneração de agências


Discussões sobre a política de não remuneração de agências de publicidade praticada pelo Google vieram à tona com a decisão tomada pela Justiça paulista na terça-feira (13/4), favorável à empresa Hotlist Web Marketing.

No processo, a Hotlist - hoje uma empresa inativa - pede uma auditoria nos registros de cliques do sistema AdWords de publicidade, como forma de determinar o valor exato da dívida que tem com a gigante de buscas. Além disso – e é aqui que, para as agências, o caso atrai mais atenção -, ela demanda o pagamento de comissão de 20% sobre os valores já pagos.

Essa comissão, chamada de desconto padrão, é um abatimento concedido pelos veículos de comunicação às agências de publicidade, como remuneração da intermediação entre o veículo e o anunciante.

A prática é prevista nas normas elaboradas peloConselho Executivo das Normas-Padrão (CENP), órgão no qual participam agências, anunciantes, veículos e governo, e que cuida da autorregulamentação deste mercado.

Modelo em xeque
No entanto, o surgimento da publicidade em mídias digitais, como web e celulares, tem colocado este modelo em xeque, e novas formas de remuneração têm surgido – e o Google é o maior e mais bem-sucedido exemplo desse novo cenário.

Para o diretor regional de desenvolvimento de negócios da Real Media para a América Latina, Marcelo Sant’Iago, o processo judicial faz parte da estratégia da Hotlist, que tem uma dívida com o Google.

“A dúvida (sobre os cliques do AdWords) é legítima, mas não é algo que o mercado debate. As agências jamais levantaram esse questionamento”, ressalta Sant’Iago. “A fraude com cliques é bastante limitada, não vemos histórico de empresas que sofreram com isso.”

Caso a decisão final seja desfavorável ao Google, no entanto, o executivo diz que poderá haver um precedente bastante interessante para as agências. “Remuneração de agência é uma política de mercado e o Google é o único que não pratica”, considera.

Há tempos
Ari Meneghini, diretor-executivo do Interactive Advertising Bureau (IAB), diz que o assunto tem sido debatido há bastante tempo pelo mercado. “Não só o IAB, mas o mercado todo está discutindo isso”, comenta. “Também discutimos com o CENP sobre essa questão.”

Meneghini lembra que a prática da comissão de 20% paga pelo veículo à agência de propaganda já não é a única fórmula de remuneração. “Hoje existem vários modelos, vários projetos de remuneração, com valores variados. A remuneração por resultados é um deles.”

Embora seja mais simples em conteúdo, o link patrocinado exige um conhecimento especializado para dar resultado, argumenta o diretor. “O AdWords do Google, por exemplo, teve 84 alterações em 2009. Só uma agência consegue acompanhar essas mudanças. Ela agrega valor aos links patrocinados.”

“A recomendação do IAB a respeito da remuneração é que a agência seja transparente com o cliente sobre o que ela está cobrando”, diz Meneghini.

Por Robinson dos Santos, do IDG Now!

Publicada em 16 de abril de 2010 às 00h55
Atualizada em 17 de abril de 2010 às 06h28

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